Literatura de Verdade

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A importância de ser Prudente

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Votar não é lá o meu forte. Tendo a duvidar naturalmente de qualquer pessoa – esteja ela servindo meu almoço ou extraindo cáries dos meus dentes – e é com dificuldade que, ao participar da festa da democracia, me esforço para, se não confiar plenamente naquele que receberá meu desconfiado voto de confiança, pelo menos relativizar a importância do que direi à urna. Quando não consigo, anulo o voto. Me parece o mais prudente.

Prudência, aliás, é uma bela de uma característica para um deputado, um senador ou um presidente da República, ainda que não seja do nosso feitio eleger representantes com base em variáveis tão fúteis. E foi preciso um escândalo de proporções bíblicas – pelo menos no que tange à oração – no Governo do Distrito Federal para que eu percebesse algo que gritava aos olhos de toda Brasília. Em nossa cidade, há um deputado prudente. E com P maiúsculo.

Leonardo, o Prudente, não usa pasta. Carrega seus pertences à mão, provavelmente para não perdê-los – é o que me sugere seu sobrenome. E sua prudência é de tal ordem que, tendo recebido uma considerável soma de dinheiro vivo do diretor, roteirista e produtor Durval Barbosa, fez o que se espera de um homem sensato: escondeu tudo no que ele celebrizou como “vestimentas”.

Nada mais Prudente, pelo menos desde então, principalmente quando se leva em conta que o deputado preside uma Casa conhecida pela mão leve de seus frequentadores. E tem gente achando ruim que um homem desses continue presidindo e frequentando a Casa do povo, que, por uma questão de prudência, naturalmente, permanece fechada por tempo indeterminado para a população local – convenhamos, não é hora de expor nossos cidadãos à leviandade de uma gangue de deputados.

Leonardo, o Prudente, por outro lado, é forçado pelo regimento (que o submete a tantas outras violências) a participar ativamente da vida da Câmara Legislativa, ainda que ele saiba que isso não devia mais ser feito, mesmo que seja – e principalmente se for – para julgar a si próprio. Ou há alguém – e lembrem-se do zelo com que a bufunfa foi parar no pé de meia – mais Prudente por ali?

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Written by Rodolfo Borges

Janeiro 13, 2010 às 11:23 pm

3 Respostas

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  1. “… diretor, roteirista e produtor Durval Barbosa…”

    Hahaha! Essa foi ótima.

    Não tem mais o resumo do livro ao fim? Esse layout ficou bem legal.

    Rodrigo Borges

    Janeiro 15, 2010 at 9:05 am

  2. Não vou mais colocar o resumo. Percebi que, como está na internet, o mais indicado é deixar o leitor ir atrás da informação. Em outros casos, contudo, a comparação entre o livro e a notícia vai ser mais explícita. Aguarde!

    Rodolfo Borges

    Janeiro 15, 2010 at 10:09 am


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