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Como Chávez roubou o Natal

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Hugo Chávez arrepiou mais uma vez neste fim de ano. A oposição deu um passo à frente e ele resolveu dar dois. Vai governar sozinho nos próximos meses. Tem gente até querendo trocar o Natal por liberdade na Venezuela. Por falar em Natal, nosso especial natalino deste ano é um oferecimento do movimento bolivariano. Aconteceu em 2007, mas é sempre bom lembrar. Em busca do texto perdido especial de Natal:

Ponto pro Grinch bolivariano

Como Chávez roubou o Natal

Todos os venezuelanos, assim como boa parte do mundo, gostavam do Papai Noel. Bom, alguns apenas simpatizavam com o bom velhinho, outros lhe eram indiferentes, mas não havia uma única pessoa que abominasse o velho Noel em toda Caracas. Ou melhor, havia um homem sim.

Ele morava no ponto mais alto da administração pública do país e se chamava Hugo Chávez. O presidente da Venezuela não ia muito com a cara de Noel. Era uma rixa antiga cuja razão permanece incógnita. Comenta-se que ele não era muito bom da cabeça; outros dizem que seus sapatos eram apertados demais e que isso o fazia se incomodar com trivialidades. Havia ainda quem explicasse a antipatia como ciúme, já que durante todo fim de ano as atenções, sempre dirigidas ao presidente, se voltavam para o velho barbudo. O fato é que Chávez não gostava de Noel e, quando teve a chance, proibiu o bom velhinho de visitar as repartições públicas durante o Natal:

“Nada de árvores de Natal, imagens do Papai Noel ou botas vermelhas em escritórios públicos. O Natal deste ano vai ser celebrado à moda venezuelana”, decretou o presidente. Chávez explicou que a decisão era um posicionamento contra o consumismo imperialista incentivado pelos Estados Unidos, que são acionistas majoritários da fábrica do Papai Noel, no Pólo Norte, e têm participação direta nos lucros do velhinho. O velho Noel nem teve chance de dizer que já existia muito antes dos estados do norte se unirem e que o tal do capitalismo se apropriou dele sim, mas da mesma maneira como costuma se aproveitar de tudo. Tinha culpa ele?

Ninguém sabe ao certo se o presidente bolivariano conhecia o passado limpo do fabricante de brinquedos, mas, se Chávez estava ciente de que a figura de Noel fora inspirada em um santo nascido numa região atualmente ocupada pela Turquia, isso não o comoveu. Para ele, venezuelano celebra o Natal como venezuelano, quer queria quer não — afinal, isso é uma democracia ou não é? Além do mais, quem tem Hugo Chávez não precisa de Papai Noel.

No último 1º de novembro, o presidente antecipou o pagamento de três abonos de Natal para cerca de um milhão de funcionários públicos, aposentados e pensionistas. Não se sabe se isso tem algo a ver com a eleição vencida por ele no mês seguinte, mas a maioria dos venezuelanos não parece ter ligado muito com a troca de Papai Noel.

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Written by Rodolfo Borges

Dezembro 24, 2010 às 12:37 pm

Uma resposta

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  1. Acionistas majoritários da fábrica do Papai Noel… muito bom!
    Na época da escola, tinha uma colega que não tomava coca-cola porque alegava que 5% da receita da marca financiava o exército dos EUA.
    Parece que dominaram o mundo mesmo.

    leopfq

    Janeiro 3, 2011 at 8:56 am


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