Literatura de Verdade

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O dia seguinte de um condenado

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Olha, Dominique, meu velho, foi mal. Desculpa aí. Sabe como é esse pessoal… É tentador demais condenar o macho adulto branco sempre no comando. Ainda mais você, desse jeito aí, todo francês, com fama de mulherengo, dirigindo o FMI e morando naquele apartamento fantástico em Wall Street. Um cara do teu naipe nunca aceitaria um não de uma camareira, certo? Uma coisa leva à outra e depois que a história apareceu no Twitter a gente não tinha mais o que fazer.

Intrigas políticas, hein? Que coisa… Quem diria? Então… Será que foi o Sarkozy? Não dá pra saber, né? E também não dá pra condenar o cara assim, sem provas… Puxa, que vergonha, Dominique. Como é que a gente pode consertar isso? Apoiando tua campanha à Presidência, talvez? Será que ainda rola essa candidatura? Vamos tentar… Ou a gente pode condenar essa jornalista francesa aí, que quer te difamar. A gente não cai mais nessa.

Olha, se te serve de consolo, essa história toda me lembrou um compatriota teu, o Victor Hugo. Aquela história do último dia de um condenado. Naquela época, a gente tirava a cabeça do cara fora. Podia ser bem pior, hein? Hãn? É, eu sei, não tem graça (que constrangimento). Então… Aquele trecho em que o condenado conversa com a filhinha, que não lembra dele, é de cortar o coração. Lembra? O cara passava os últimos dias naquela expectativa da execução, sem saber se torcia para a hora fatal demorar ou chegar logo. No teu caso foi assim também? É diferente? Ah, não acabou ainda, né?

Eu sei, você perdeu a direção do FMI. Mas o que são essas fantásticas glórias mundanas diante de uma consciência tranquila e uma reputação limpa? A vida continua, bola pra frente. Sabe, o Dostoievski foi condenado à morte pelo czar e chegou a ser vendado em frente ao pelotão de fuzilamento antes de descobrir que era só pegadinha do malandro. Pensando assim, fica até engraçado, né?

Ok, saquei, não tem nenhuma forma de tornar a coisa engraçada. Mas você também não precisa ficar olhando pra gente assim, com esse olhar de condenação. Precisa?

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Written by Rodolfo Borges

Julho 4, 2011 às 9:25 pm

5 Respostas

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  1. queria só sugerir que há uma sutil diferença entre mulherengo e predador sexual. o primeiro não costuma ser acusado de estupro como o segundo. não sei de nenhuma acusação desse tipo contra jfk ou bill clinton, por exemplo.veja que eu disse que dsk foi acusado e não é tão simples chegar à verdade a partir de uma acusação. existem as evidencias, mas essas também não estão imunes à parcialidade, infelizmente. o que me chama a atenção nesse caso é que a imprensa continua insistindo no mesmo erro, para reparar o erro anterior: se num primeiro momento julga o suposto criminoso, regojizando-se com uns parcos 15 minutos de revanchismo, num segundo momento julga a suposta vítima, ainda com maior inclemência, já que a vitima praticamente traiu toda uma consciência cheia de culpa. no entanto, ninguém parece estar muito interessado nos “supostos”. o problema é que ele não é um criminoso assim tão perfeito, está longe disso, ainda que branco, rico e predador (o que o classificaria como um um perfeito filho da puta inescrupuloso), e talvez justamente por isso, dsk possui todos os recursos possíveis e impossíveis para virar o jogo. já a camareira, que se num momento apresentava-se como a vítima perfeita pobre, negra, goiana (ops, essa sou eu!), revelou-se nem tão pobre assim, convertendo-se da noite para o dia em oportunista (o que convenhamos, já não é tão difícil quando o fulano é um mero goleiro, que dirá um acusado que ocupa o mais alto nível da pirâmide social). e se o tal tradutor da tal língua africana não se equivocou, difícil escapar desse rótulo. e na minha opinião esse é o único dado relevante. os demais contos da carochinha que a mocinha contou à promotoria não me parecem assim tão incriminatórios. de acordo com a folha (se é que se pode citar a folha depois de tudo isso), a tal história de que ela foi limpar outro quarto antes de procurar seus supervisores já caiu por terra. mas o mais engraçado foi o clóvis rossi culpando a polícia pelo circo todo, e não a imprensa: “A culpa, portanto, é menos do jornalismo e mais da maneira de atuar do sistema norte-americano de ‘law and order'”. hahahaha. enfim, vou continuar acompanhando o caso, já que não tenho tv e não posso ver o citado programinha. no mais, conspiração pra tirar o dsk da reta?yo no creo.

    Luanda

    Julho 5, 2011 at 4:37 pm

  2. Puxa, Luanda, foi mal. Você tem razão. Somos todos muito volúveis e eu acabei me deixando levar… Que vergonha… É que eu pensei que ia ser ainda mais hipócrita dizer agora que a gente tinha de ir com calma, sem inocentar logo o cara que tínhamos nos apressado em condenar, ao contrário do que aconteceu quando decapitamos o tarado. Como é que eu posso consertar as coisas contigo? Você não estaria, por acaso, se candidatando à Presidência da França… Estaria?

    Cinismo à parte (você percebeu que concordamos e que o meu texto é mais um deboche que uma defesa, certo?), como vão as coisas na terra de Cristina? Ao que me consta, nem as mães da Praça de Maio se salvam mais por aí.

    Rodolfo Borges

    Julho 5, 2011 at 5:19 pm

  3. sim, sim. é que eu tava loca pra comentar com alguém sobre o caso, de fato é o meu law and order, já que como disse anteriormente, estou sem tv! o que dizer, um papelão tudo isso!e nessa nem o alberto dines se salva!por aqui tá tudo bem, friaca, brasilzão varonil dando vexame e me deixando em maus lençóis aqui com os hermanos (cê viu que uruguai quis entrar por time dos grandes e também deu um jeito de empatar?). eu que não escondo a minha inclinação à esquerda (festival, sempre!) custo a acreditar nessa história das madres, que elas tavam por dentro do que tava rolando, assim como custei a crer que o lula sabia da lama toda!outro dia vi meu candidato a chefe de governo de buenos aires falando pra meia-dúzia de gatos pingados aqui na recoleta. fernando pino solanas tô contigo: solo pino gana a macri!e cris, depois do futebol para todos e milanesa para todos, resolveu facilitar a tv lcd para todos, hahahaha. no mais, suerte aí em la nueva vida en sp!beijo na bel!

    Luanda

    Julho 5, 2011 at 5:44 pm

  4. A esquerda é a nova direita. O Uruguai é o novo Brasil. Cristina é a Argentina velha de guerra.

    Rodolfo Borges

    Julho 5, 2011 at 9:22 pm

  5. Já nem sei mais o que comentar por aqui. Ia falar to teu texto, de como achei graça do hiato diveroso “que constrangimento”. Mas ver esse embate intelectual com Luanda me fez extasiado. Por isso, não acrescentarei mais ao debate. Por ora.

    Diego Iraheta

    Julho 24, 2011 at 9:01 pm


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