Literatura de Verdade

Um blog sobre livros e notícias. E notícias sobre livros.

O emblema azul-grená da coragem

leave a comment »

Talvez seja exagero falar em covardia, mas o Santos evidentemente tremeu diante do Barcelona. Até Neymar, que canta de galo por aqui, não arriscou sequer um drible ao longo de toda a final do Mundial de Clubes. A crueldade é que o Santos é o melhor de nós, brasileiros, mesmo. E quem pegar o Barcelona nos próximos anos vai passar por isso.

Sabe quando, na divisão dos times da pelada, os melhores jogadores ficam do mesmo lado? É a melhor definição que encontrei pra esse Barcelona. E, quando eu digo “melhores jogadores”, me refiro àqueles caras que gostam de futebol mesmo, os jogadores que compreendem a superioridade de um bom passe sobre um belo e desnecessário drible. Xavi, Iniesta, Messi, e não Cristiano Ronaldo.

Se você joga bola, sabe do que estou falando. Não tem isso de ficar arrumando o cabelo, pedaladinha. Quando o cara sabe jogar, não precisa ficar inventando moda — e entende que acertar uma boa jogada em grupo é mais importante do que brilhar sozinho. O Barcelona conseguiu juntar um grupo que pensa todo assim. E, quando você está do outro lado, não há muito o que fazer além de tentar apreciar a coisa toda funcionando.

O jogo foi 4×0, poderia ter sido 7×0 e, se o Santos tivesse “jogado como Santos” , como o pessoal dos comentários queria, seria algo em torno de 10×2, com margem de erro de dois gols para mais ou para menos. Está nO emblema vermelho da coragem, do Stephen Crane. A covardia não é dos comportamentos mais lisonjeiros, mas pode salvar a sua vida, ou, no caso do Santos, preservar o clube de uma goleada ainda mais acachapante. No livro, o jovem Henry foge da batalha para preservar a vida. No campo, Muricy Ramalho preservou a instituição Santos o quanto pôde.

Ficarão as críticas a Muricy, que optou por entrar na defensiva. Mas o que ele podia fazer? O futebol brasileiro, reconheçamos, vai tão mais ou menos que um jogador diferente é capaz de decidir não apenas um jogo, mas um campeonato (Conca de 2010, Adriano e Pet de 2009). O Santos tem dois craques, mas o Barcelona tem uns 10. Então ou a gente troca os caras que vão tirar o par ou ímpar antes da próxima partida ou o jeito vai ser apreciar o show de novo.

Anúncios

Written by Rodolfo Borges

Dezembro 18, 2011 às 6:28 pm

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: