Literatura de Verdade

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O caminho da servidão: liberdade x segurança

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A vontade, chegado o fim de The Road to Serfdom (aqui, gratuito, na tradução de Anna Maria Capovilla, José Ítalo Stelle e Liane de Morais Ribeiro), é dizer que sua leitura deveria ser obrigatória. Como afirmar algo parecido seria contradizer tudo o que ali está escrito, fica a sugestão de leitura.

O livro de Friedrich Hayek foi publicado em 1944, no âmbito da Segunda Guerra Mundial, mas, como, imagino, demonstram as passagens que seguem abaixo, a obra deve permanecer atual em sua essência por alguns séculos — no Brasil, talvez eternamente.

Em seu “livro político”, como o próprio Hayek o define, o austríaco fere de morte o socialismo — um notório zumbi pelo menos desde a década de 1980 –, mas, para além da picuinha ideológica, minha seleção vai noutro rumo:

Pequeno tratado sobre (ou contra) o governo Hugo Chávez

“É injustificado supor que, enquanto o poder for conferido pelo processo democrático, ele não deverá ser arbitrário. Essa afirmação pressupõe uma falsa relação de causa e efeito: não é a fonte de poder, mas a limitação do poder, que impede que este seja arbitrário”.

O concurso público I

“A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa”.

O concurso público II ou ‘meu Brasil brasileiro’

“Numa sociedade em que o indivíduo conquista posição e honras quase exclusivamente em função de ser um servidor assalariado do governo; em que o cumprimento do dever prescrito é considerado mais louvável do que a escolha do próprio campo de atividade; em que todas as ocupações que não conferem um lugar na hierarquia oficial ou o direito a um rendimento fixo são julgadas inferiores e até certo ponto aviltantes — seria demais esperar que a maioria prefira por muito tempo a liberdade à segurança. E quando só se pode optar entre a segurança numa posição de dependência e a extrema precariedade numa situação em que tanto o fracasso com o êxito são desprezados, poucos resistirão à tentação da segurança ao preço da liberdade. Tendo-se chegado a esse ponto, a liberdade torna-se quase um objeto de escárnio, pois só pode ser alcançada com o sacrifício de grande parte das coisas boas da vida.”

A massa, o partido, o progresso™

“Há três razões principais para que um grupo numeroso, forte e de ideias bastante homogêneas não tenda a ser constituído pelos melhores e sim pelos piores elementos de qualquer sociedade. De acordo com os padrões hoje aceitos, os princípios que presidiriam à seleção de tal grupo grupo seriam quase inteiramente negativos. Em primeiro lugar, é provavelmente certo que, de modo geral, quando mais elevada a educação e a inteligência dos indivíduos, tanto mais se diferenciam os seus gostos e opiniões e menor é a possibilidade de concordarem sobre determinada hierarquia de valores. Disso resulta que, se quisermos encontrar um alto grau de uniformidade e semelhança de pontos de vista, termos de descer às camadas em que os padrões morais e intelectuais são inferiores e prevalecem os instintos mais primitivos e ‘comuns’.”

Um certo discurso errado de um atual ex-presidente (ou vice-versa)

“A antítese ‘nós’ e ‘eles’, a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas. Do seu ponto de vista, isso tem a vantagem de lhes conferir mais liberdade de ação do que qualquer programa positivo.”

O poder

“Jamais poderemos evitar o abuso de poder se não nos dispusermos a limitá-lo de um modo que também impeça o seu uso ocasional para fins benéficos.”

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Written by Rodolfo Borges

Maio 19, 2013 às 2:03 pm

Uma resposta

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  1. Pode nao ser obrigatória, mas necessária.

    12augusto

    Maio 19, 2013 at 6:29 pm


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