Literatura de Verdade

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A Amazon cava a própria cova?

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Digamos que o enterro ainda demora a acontecer

Digamos que o enterro ainda demora a acontecer

A informação de que o executivo-chefe da Barnes & Noble, maior rede de livraria dos Estados Unidos, pediu demissão disparou um novo alerta no mercado editorial americano. William Lynch não conseguiu cumprir a missão de fazer o Nook vingar no mercado de leitores eletrônicos, e sua saída do grupo vem sendo encarada como a derrocada final da livraria. E quem seria o grande perdedor nessa história, segundo os analistas americanos? A poderosa Amazon.

O argumento básico é que a hegemonia virtual da Amazon, que teria efeito direto no fracasso dos concorrentes, tende a eliminar a forma mais tradicional de apresentação dos livros: a exposição em livraria. O raciocínio se escora em pesquisas como a que aponta que apenas 17% dos leitores descobrem no ambiente on-line os livros que acabam por comprar. Eu mesmo, um consumidor de e-books, costumo fazer minha visita semanal à livraria, para saber das novidades.

O problema é que pesquisas do mesmo Codex Group apontam que as grandes lojas, que outrora já tiraram do mercado as pequenas livrarias, contribuem cada vez menos para a descoberta de livros pelos consumidores. Em junho de 2010, um terço dos leitores dizia ter achado seu último livro numa loja física nos EUA. Em dezembro de 2012, a proporção já havia caído para um quinto, em parte por causa do fechamento de lojas, em parte porque o mercado e o consumidor estão mudando, o que não é necessarimente ruim.

Além do mais, o alarmismo parece não ter fundamento. Ironicamente, apesar de o Nook não ter conseguido competir com o Kindle e de a Barnes & Noble fechar algumas lojas (16 por ano, o que, em 2012, equivalia a 2% da rede), a divisão de vendas físicas do grupo vem apresentando lucros — 95% das lojas, aliás, são lucrativas. Tanto que o fundador da rede, Leonard Riggio, pensa em comprar todas as lojas do grupo.

No fim das contas, os livros de papel e as livrarias vão acabar tendo o mesmo destino das cartas, postais, cinemas e discos de vinil após o surgimento do e-mail e dos filmes e músicas digitalizados: livres do valor utiltário, eles podem vir a ter as qualidades (ambiente, peso, volume, design, etc) realçadas. Que as editoras e livrarias percebam a mudança e enfrentem o desafio.

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Written by Rodolfo Borges

Julho 20, 2013 às 4:42 pm

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