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Tuma Junior, Celso Daniel e um romance policial

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Assassinato_de_reputacoes

Um notório sequestrador é resgatado de dentro da penitenciária por um helicóptero. Dois dias depois, o bandido organiza, nas ruas da maior capital do país, o sequestro de um prefeito do interior, cujo corpo é descoberto no dia seguinte num matagal. Um delegado linha dura, que foi transferido da capital por investigar figurões, é o primeiro a reconhecer o cadáver, e, mantido fora das investigações, acompanha o caso de perto.

O enredo está no capítulo “Toda a verdade do caso Celso Daniel”, de Assassinato de Reputações, que o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Junior assina junto com o jornalista Claudio Tognolli. No livro lançado em dezembro último, além de apontar uma “fábrica de dossiês” no governo Lula, o delegado aposentado detalha bastidores da investigação sobre a morte do ex-prefeito de Santo André.

Mais de dez anos depois, o crime segue cheio de perguntas por responder e se mantém como uma mácula no projeto de poder do PT — até onde se sabe, Celso Daniel tinha a intenção de interferir de alguma forma nos esquemas que alimentavam a máquina petista em Santo André e, por uma série de atropelos, acabou assassinado.

O enredo policialesco se enriquece na pretensa confissão do hoje ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e em coinciências detalhadas no livro. Segundo o piloto que resgatou Dionisio de Aquino Severo do Presídio José Parada Neto, em Guarulhos (SP), a empresa da aeronave prestava serviços ao PT.

Outra: Dionisio havia sido segurança de Sérgio Gomes da Silva (conhecido como “Sombra”), que dirigia o carro quando Celso Daniel foi sequestrado ao sair do restaurante Rubayat. Mais uma: sete pessoas ligadas ao caso, entre elas o garçom que serviu Celso Daniel e Sombra minutos antes do sequestro, foram assassinadas nos meses seguintes.

Não bastasse, Tuma Junior apresenta uma “prova inédita”: uma testemunha lhe relatou ter visto um veículo da prefeitura de Santo André circulando, na noite anterior, pelo mesmo local onde o corpo do prefeito foi encontrado, na rodovia Regis Bittencourt. Essa prova, como num bom romance policial, foi desconsiderada pelos investigadores.

Written by Rodolfo Borges

Janeiro 4, 2014 at 9:00 am

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