Literatura de Verdade

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Em busca do título perdido

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Segura essa, Marcel!

A história do futebol brasileiro mudou. Melhor seria dizer que o passado do futebol brasileiro mudou, ainda que tudo permaneça igual. A CBF avalizou os títulos nacionais disputados entre 1959 e 1970, atendendo à solicitação de um historiador, que é quem gosta de mexer com a História. O pleito é legítimo e a confederação agiu corretamente: se vale o Roberto Gomes Pedrosa, vale a Taça Brasil, por mais esquisito que seja conceder o mesmo título duas vezes num mesmo ano para o mesmo time — o que realçou o tom patético da coisa. Quem errou mesmo foram os clubes que solicitaram a chancela.

Na ânsia de ver suas glórias respeitadas, as agremiações perderam o respeito pela própria história. Submeteram suas conquistas ao crivo da pérfida CBF, como se dela dependessem as vitórias acumuladas no passado. E vai o Santos promover carreata para comemorar campeonatos conquistados há 50 anos, desprezando as celebrações daquela época. Bahia, Botafogo, Fluminense, Santos, Cruzeiro e Palmeiras caíram na armadilha do presente e prostituíram o passado pensando no futuro. Se esses times são considerados grandes é por causa de suas glórias passadas. Agora me vêm as diretorias dizer que os títulos só valem quando a CBF mandar?

Rubem Braga diria que esses clubes são o fruto de suas histórias, mesmo e principalmente em seus capítulos mais tristes, e esse passado nem a FIFA pode apagar. Quando surgiu o novo mundial de clubes, houve quem ousasse dizer que a disputa pelo mundo começava ali, a partir de 2005, numa tentativa de desmerecer todos os títulos disputados anteriormente. Ora, a FIFA poderia muito bem desconsiderar todos os campeões do mundo até 2005, que não apagaria aquela madrugada em que eu, com 10 anos, me tornei campeão do mundo pela segunda vez consecutiva para, na manhã seguinte, acordar sem saber o que era sonho ou realidade.

Meus delirantes murros no travesseiro — que eram mais como um abraço carinhoso no Müller — continuarão a ecoar silenciosos em mim ainda que o mundo opte por negá-los. Um título não se compara a um sentimento e muito menos à recordação de um momento que volta sempre no replay daquele gol de costas, que é a minha mais saborosa madeleine futebolística. Não tem CBF ou FIFA que mudem isso, nem eu preciso que elas me digam se minha lembrança está em posição legal. O mesmo podem dizer os flamenguistas sobre o título brasileiro que é do Sport ou os corintianos sobre o mundialito de 2000 — bom, esse talvez seja exagero. O resto é História.

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Written by Rodolfo Borges

Dezembro 20, 2010 às 8:20 am

3 Respostas

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  1. Chefiar um clube brasileiro deve ser muito complicado. Imagem, política e poder falam muito alto. Tem que ser forte – e muito fraco.

    Rodrigo Borges

    Dezembro 20, 2010 at 8:58 am

  2. […] puder” do cão e cada um pensa só no seu, uma atitude que nos levou a uma patética jornada em busca do titulo perdido neste início de […]

  3. […] quem puder” do cão e cada um pensa só no seu, uma atitude que nos levou a uma patética jornada em busca do titulo perdido neste início de […]


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